Há algum
tempo, você vem ouvindo falar a respeito da Era de Aquário. Provavelmente,
escutou opiniões que, a partir desta Era, seremos mais evoluídos, que a
humanidade entrará em uma nova fase, que acabarão todos os problemas que nos
assolam. Seria isto verdade? Além disso, quando, afinal, começaria a tão falada
Era de Aquário? Vamos tentar responder a estas duas perguntas através deste
artigo.
Antes, é necessário
entender o que é uma ‘era’. O pólo celeste (extensão imaginária do pólo
terrestre) executa um movimento circular, de leste para oeste, que leva 25.794
anos (este número ainda não é um consenso entre os estudiosos)
para voltar ao ponto de onde saiu. À medida que vai descrevendo este
movimento, há um deslocamento em relação à constelação que marca o equinócio de
primavera no Hemisfério Norte. Assim, há cerca de 2 mil anos, era a constelação
de Áries que inaugurava o equinócio de primavera. Agora é Peixes que está lá.
Breve, será Aquário (note que o zodíaco é percorrido de trás para a frente).
Astronomicamente, portanto, a primavera no Hemisfério Norte está se iniciando
com a constelação de Peixes, embora astrologicamente o signo que represente a
primavera continue a ser Áries.
Dividindo-se 25.794 anos por doze signos, podemos dizer que cada era
astrológica duraria cerca de 2.149 anos. Agora vamos tentar responder à
pergunta: a Era de Aquário já começou, e, se não, quanto tempo faltaria para ela
começar? A resposta para esta pergunta é controversa. Há estudiosos que dizem
que a Era de Aquário já começou, e outros acreditam que ela se iniciará daqui a
cerca de 150 anos. Entretanto, embora haja discussões a respeito de quando a Era
de Aquário irá de fato começar, a maioria dos astrólogos crê que estejamos em
uma fase de transição entre a Era de Peixes e a de Aquário, ou seja, que ainda
estejamos vivemos de acordo com todos os padrões da Era de Peixes, mas já
mesclados com os desafios da próxima Era.
É
necessário entender um pouco o que é cada Era para que possamos falar da do que
significa esta transição, e para onde estamos indo. Cada Era costuma ter
símbolos que atingem a máxima importância durante a sua vigência. Assim, por
exemplo, durante a Era de Touro (aproximadamente, entre 4000 e 2000 anos antes
de Cristo), o touro foi adorado no Egito, representado como o boi Ápis e como o
culto ao minotauro (criatura com cabeça de Touro e corpo humano). Na Era
seguinte, Áries, o cordeiro surgiu em inúmeras manifestações religiosas (como
Amon-Rá, o deus com cabeça de cordeiro, ou o mito do velocino de ouro). E, na
Era de Peixes, naturalmente o peixe se tornou o animal sagrado. Cada Era tem
também seus ‘avatares’, que seriam figuras históricas que concentrariam todas as
características que elas carregam. Moisés, por exemplo, que guiou o povo judeu
através do deserto teria sido um avatar da Era de Áries, bem como Cristo teria
sido um avatar da Era de Peixes.
Cada Era
traz à tona todas as questões do signo que o representa, mas também do signo que
se opõe a ele. Assim, por exemplo, a Era de Touro conheceu o represamento
(Touro, signo do elemento Terra, relacionado a forma) das águas do Nilo (Escorpião,
signo do elemento Água), e sabe-se que este fato teve fundamental
importância no desenvolvimento da civilização egípcia. Foi nesta Era que
surgiram as religiões ligadas à terra, e que o ser humano começou a se
estabelecer, deixando de ser nômade. Conflitos de dominância e poder (típicos do
eixo Touro e Escorpião) estiveram presentes durante toda esta Era.
A Era de
Áries foi caracterizada por guerras, disputas e pelo surgimento de deuses mais
masculinos (Áries é um signo de polaridade masculina), em oposição às deusas que
predominavam até então. Nesta época também se desenvolveram a cultura e as artes
(Libra, signo oposto a Áries), e surgiu o budismo, uma religião tipicamente
libriana, por pregar o ‘caminho do meio’.
A Era de
Peixes desloca a ação do Oriente para a Europa. O Cristianismo nasce junto com a
Era de Peixes, e grande parte dos fatos estão relacionados com ele:
desde a perseguição dos primeiros cristãos até o momento em que a Igreja
Católica angaria um poder incalculável. Durante a Idade Média, a Igreja controla
toda e qualquer forma de conhecimento, e seus preceitos exercem uma inflexível
influência sobre as pessoas. É o auge da força da crença (Peixes), em que a
ameaça não é tomar algo real da pessoa ou exercer outra forma de punição, e sim,
condená-la a queimar eternamente no fogo do inferno (ativando a natureza
impressionável inerente à Peixes). Porém, são os interesses mundanos (reflexos
de Virgem, signo da Terra, de natureza material) que movem a venda de perdões
(as chamadas ‘indulgências’) e outras benesses celestiais.
A Era de
Peixes também conhece as cruzadas religiosas, as ‘guerras santas’, e,
igualmente, o trabalho dos jesuítas na difusão da sua religião. Ela é marcada
por por um intenso fervor religioso. A filosofia da Era de Peixes (ainda que
muitas vezes aplicada de maneira inteiramente distorcida) é a necessidade de
redenção, salvação, superação da matéria e devoção a um ideal. O signo de
Virgem, oposto a Peixes, também se manifesta nesta Era, quando traz o
desenvolvimento da ciência, bem como os subprodutos disso, como o racionalismo
excessivo, o ceticismo e o descarte de qualquer coisa que não possa ser
comprovada e classificada nos moldes conhecidos. Virgem é também o signo ligado
ao corpo, ao orgânico, ao animal, ao vegetal, e nunca a Terra, como um grande organismo, é
tão ameaçada, ao mesmo tempo em que nunca o ser humano vai tão longe em sua
capacidade de desvendar meticulosamente (Virgem) como cada parte do mundo
funciona. Virgem é também o signo da manipulação e intervenção, e a Era de
Peixes traz uma possibilidade sem precedentes de modificação do ambiente físico.
De muitas maneiras, utilizamos mal esta possibilidade, dizimando espécies
animais e vegetais, poluindo o planeta, e também criando um estilo de vida
desvinculado de ritmos naturais, em que o endeusamento do trabalho (um dos temas
de Virgem) e da vida produtiva em excessivo (gerando doenças físicas e
psicológicas). Por outro lado, desenvolvemos remédios e soluções inovadores.
Criamos inventos que nos abriram possibilidades. Hoje nós temos inúmeros
confortos e facilidades graças ao interesse virginiano por soluções práticas.
A era
Peixes-Virgem contém uma profunda necessidade de significado, mesmo que,
em muitos momentos, isto fique obliterado pela manipulação religiosa (Peixes) ou
pelo materialismo (Virgem). Vivemos, no final da Era de Peixes, o chamado para a
Era de Aquário. O desenvolvimento científico se acelera. Começam a surgir
religiões e sistemas de crença mais baseados na força da mente e na crença de
que também podemos ser deuses (um modo aquariano de pensar). Há um forte desejo
por resolvermos nossas diferenças e sermos mais tolerantes e abertos, e por nos
libertarmos de velhos condicionamentos que nos acompanham há milênios. Por outro
lado, pensadores começam a imaginar um futuro feito por uma racionalidade tão
fria que poderia simbolizar a ‘sombra’ de Aquário. Um mundo em que um sistema
social fosse tão rigidamente organizado em prol do conjunto que chips fossem
implantados no cérebro das pessoas, anulando suas vontades individuais e
criatividade (as quais são simbolizadas pelo signo de Leão, oposto a Aquário).
Um mundo com tanto poder de intervenção que praticamente poderíamos ‘fabricar’
um ser humano ao nosso gosto (com todos os perigos que isto embute). Um mundo em
que a tecnologia (Aquário) fosse tão dominante que isto pudesse abrir espaço para
terríveis formas de controle e centralização (reflexo de Leão), com a sufocação
da liberdade (uma das necessidades aquarianas mais fortes).
Na
realidade, em todas as Eras houve dificuldade em se equilibrar os dois signos
envolvidos. A humanidade passou boa parte da Era de Peixes tendo sua capacidade
de análise e discernimento (simbolizada por Virgem) bloqueada por crenças
impostas de cima para baixo. Quando, a partir do século XIX, o espírito
científico começou a se desenvolver, daí foi Virgem que assumiu a supremacia.
Descartou-se tudo o que não se podia explicar e iniciou-se um período de
excessiva racionalidade e fragmentação, que resultou no surgimento em massa de
doenças emocionais decorrentes da falta de conexão com algo maior (por que você
acha que tantas pessoas se drogam no mundo?).
A Era de
Aquário não é, portanto, uma Era que automaticamente vai nos conduzir a
fraternidade, a um entendimento extraordinário de quem somos e do que o mundo é,
a uma nova forma de organização, a uma descoberta sem precedentes de nosso poder
mental e a um uso adequado dele. E por que não? Porque Aquário não é um signo
melhor do que Peixes, assim como Peixes não é melhor do que Áries, assim como
nenhum signo é melhor do que outro. Em cada Era, nós temos escolhas a fazer. A
tecnologia, principal promessa da Era de Aquário, tanto pode nos levar a uma
separação do nosso lado instintivo, tornando tudo excessivamente lógico e frio,
como pode ser tão aperfeiçoada que nos leve a sanar os problemas que até agora
criamos com o uso dela. A penetrante mente aquariana tanto pode nos levar a
finalmente rompermos com antigos comportamentos danosos quanto nos trazer
agitação, alienação e rebelião, sintomas já presentes atualmente. A Era de
Aquário será, sem dúvida, caracterizada por uma grande mudança em relação às
outras Eras, porque isto faz parte do símbolo de Aquário. Mas isto nos levará a
um mundo realmente melhor? Afinal, quem tem razão: os intelectuais que prevêem
um mundo frio, excessivamente racional e controlado, ou os místicos que falam em
uma era de amor?
O
potencial da Era de Aquário seria para que nos víssemos como uma só raça (já que
até agora nosso passatempo foi nos aniquilarmos mutuamente), e, a partir disso,
nos uníssemos, sendo capazes, por esta razão, de avanços inimagináveis, e de
criarmos um novo sistema de vida, que rompesse integralmente com o que de
negativo vivemos até aqui. Uma Era de Aquário realmente avançada também não
descartaria que viéssemos a realizar um intercâmbio com outros habitantes de
outros planetas, seja através do desenvolvimento de tecnologias revolucionárias,
seja porque finalmente estaríamos prontos para isto. Uma Era de Aquário ‘bem
feita’ teria de ter presente os atributos positivos de Leão, como a valorização
do indivíduo e da criatividade, do coração e do calor, para que a sociedade não
se tornasse por demais fria, mecânica e lógica. O bem estar do indivíduo (Leão)
teria de ser levado em consideração tanto quanto o bem estar do grupo (Aquário),
pois um não pode predominar sobre o outro sem que isto gere desequilíbrios. Só
que a Era de Aquário não vai trazer tudo isto ‘de bandeja’. Nós teremos de
conquistar esta ‘promessa’ positiva que está embutida nela. Estaremos sendo
chamados a escolher tanto quanto fomos em outras Eras. Por exemplo, a Era de
Peixes poderia ter sido muito especial em termos de compaixão, abrandamento de
nossas características mais destrutivas e agressivas, e não o foi. Ao invés
disso, apareceu o lado negativo de Peixes, como a cegueira, a incompreensão e a
histeria (as Santas Inquisições, por exemplo).
Você
talvez se pergunte o que pode fazer, como indivíduo, para que possamos realmente
começar uma nova Era, um novo tempo, transpondo para o coletivo o potencial que
já existe em indivíduos mais evoluídos, mas que nunca existiu em escala maior.
Simplesmente desenvolva o lado positivo de Aquário. Olhe mais para o coletivo.
Interesse-se mais por ele. Não veja a sua vida como limitada apenas a sua casa e
às pessoas próximas. Enquanto houver pessoas miseráveis e escravizadas no mundo
mesmo o mais lindo recanto com a maior harmonia poderá ser atingido. Aquário
quer dizer que todos somos um povo só. A hora em que nos virmos como o povo da
Terra, que é por ela responsável, aí sim estaremos entrando em uma nova Era. Sem
o desenvolvimento disso, a Era de Aquário será como todas as outras, até que
resolvamos mudar. A escolha será de cada um de nós.
